Wednesday, October 11, 2006

sequestro


subvertendo toda lógica. a princesa sequestra seu cavaleiro.
para comer seu coração em terras do além mar.

ela não pretende pronunciar-se sobre esse, ou qualquer outro assunto, nos próximos vinte dias.
muito menos solicitar resgate...

Wednesday, October 04, 2006

Os cabrestos estão esgarçados

em q pese eu estar, absolutamente, sem disposição pra comentar a eleição, por motivos que se resumem à candidaturas vitoriosas de incompetências, de espécies e ofícios sortidos, para funções parlamentares, AD é um alento. um homem q até me faz pensar q a coisa, na república das bananas, ou na província boi, não parece tão osca quanto se apresenta.

com vocês, 'monsieur lucidez':
Os cabrestos estão esgarçados
[Alberto Dines em 2/10/2006]

As primeiras interpretações sugeridas pelos apertados resultados eleitorais de domingo (1/10) têm a ver com a mídia: os grotões entraram para o universo mediático. Passaram a fazer parte das audiências, são sensíveis ao noticiário.

Portanto, é possível imaginar que:

** Os grotões não aprovaram a ausência do candidato Lula no debate na TV Globo;

** Os grotões ficaram impressionados com as fotos da dinheirama do dossiê IstoÉ-Vedoin.

** E, apesar da miséria, os grotões diminuem de tamanho. Se não em termos estatísticos, certamente nas suas percepções sobre o que é certo e errado.

Significa que pobres também se preocupam com corrupção, significa que a questão moral não se circunscreve às "elites" e começa a arrombar os currais. José Sarney que o diga. O homem nunca sofreu tanto para ganhar uma eleição.

As interpretações sobre a derrota do "carlismo" baiano esmagado pelo rolo compressor do petista Jacques Wagner seguem a mesma direção: os currais eleitorais estão sendo tomados de assalto com o apoio do povão – este mesmo povão que uma parcela da esquerda, reacionária e autoritária, imaginava imune às sutilezas políticas.

O mesmo aconteceu no Paraná: Roberto Requião acreditou que a reação da mídia à sua truculência não alcançaria o eleitorado interiorano. Ao longo da campanha não escondeu a certeza de que venceria já no primeiro turno. Vai para o segundo e talvez fique no meio do caminho.

Bordão cansativo
Foi errada a estratégia adotada pelo comando petista no plano nacional de confrontar a imprensa. Os fatos eram gritantes demais para serem descartados ou creditados apenas ao "golpismo" da mídia.

A imprensa não inventou as fotos do dinheiro. A demora da PF em divulgá-las e avançar nas diligências alcançou o Brasil Profundo. Para o povão o crime não compensa. Paulo Maluf voltou a receber uma votação expressiva, mas o eleitor de Maluf não é povão, é a classe media e média-alta que se identifica com o seu empreendedorismo.

A vitória apertada do presidente Lula pode ser entendida como uma derrota do palanquismo palaciano. O povão queria vê-lo ao lado de Alckmin e certamente torceria por ele. Embora o candidato tucano tivesse cometido todos os erros possíveis e imagináveis durante o debate, acertou num único quesito – estava lá.

Nas eleições de 2002, a imprensa sentiu-se observada e de certa forma refletiu os sentimentos dos diferentes segmentos da sociedade em favor do sindicalista bem-vestido, bem-humorado, vendendo esperanças.

Desta vez, Lula passou uma imagem tensa, algo raivosa e, sobretudo, arrogante. Aquele bordão "nunca neste país etc. etc." começou a cansar, não batia com a realidade. Sobretudo porque desta realidade fazia parte o mensalão, os dólares na cueca etc.etc., sempre escamoteados.

Os cabrestos de direita ou esquerda estão esgarçados. Os grotões agora ouvem, matutam, reagem. Não adianta culpar a imprensa e hostilizá-la. Melhor tê-la ao lado. Como da outra vez.

Wednesday, September 27, 2006

fim do tributo masculino público / [...]

se alguém repara, andamos, eu, devagar nesse terreno. sem previsão de retomadas escandalosas, menos ainda, periódicas. achando qualquer coisa q valha socializações, se posta. a ciência me demanda um tanto. ando digerindo infinitamente. vagamente, mas especificamente. janto tortéi com meu cavaleiro. pq amor dá fome... e não sei quando retorno a esse planeta. rezo o terço dos insanos seis vezes em oração única. e antes de durmir. caminho de mãos dadas. vou à cavalo. e deus nos recebe.

Wednesday, September 20, 2006

johannes dahlmann*

*mote: 'o sul', jorge luis borges
[com o perdão da heresia:]

Isso a que chamam atavismo, livrei-me. Escolhi. O que distingue, verdadeiramente, o homem é a faculdade do livre-arbítrio. Um homem não é um acidente de seu destino, é um acidente de sua escolha. A morte clareia as idéias sobre a vida. Estou a morrer sem ressalvas. Tenho um corte nas vísceras, como uma solução de continuidade da minha existência. E registro.

Na vida o homem é consciente de suas linhagens para gostar de ruminá-las ou não. Eu nasci germânico e espanhol no meio de uma província rural. Poderia me convir a religiosidade e temperança de alma do meu avô Dahlmann, mas de melhor senso estético, julguei as heranças de Francisco Flores, pai de minha mãe, morto lanceado pelos índios de Catriel.

A vida desse meu avô hispânico era um épico militar, desde que se juntou à tropa do 2º. Batalhão de Infantaria de Linha. Ainda moço, mas, contam, com bigode de homem. Inteirava-se pouco dos particulares domésticos. Passava em campanha, cuidando de inaugurar batalhas, dado seu posto em tropa.
Quando eu era guri, me chamava de ‘Senhor Dahlmann’, enquanto tomava um mate que cozinhava minha língua miúda, e ouvia o que era do gado da estância pela peonada no galpão. Depois ele mesmo encilhava a égua, baia ruana, boa de boca, aprumo e temperamento, e saia recorrer a gadaria. Uns dias mais, ele juntava as encilhas e voltava pra campanha.

Eu mantive a estância no sul, aquela de meu avô Flores, a custo de sacrifícios. O trabalho na biblioteca, sendo mui meticuloso, não permite grandes ausências.

Há vinte dias, pensei, equivocadamente, que morria. Restabeleci-me. Fui para o sul, passar temporada.

Ruminei Francisco Flores a vida toda, até que aquele índio no canto do bolicho, sentado nos calcanhares, me alcançasse sua adaga. Fui provocado. Estava desarmado. O índio não disse palavra. Seu olhar me cobrou a linhagem.

Friday, September 15, 2006

sergio leone

surreal. o anterior inaugura uma série de posts [2...!?] com nomes de homens, como título. ainda q o homem q mais me interesse, não figure nominalmente nesse veículo... isso não é 'caras', afinal de contas...

cinema. é a segunda vez preciso recomendar um western. ambos, sergio leone.
da primeira, 'era uma vez no oeste'. um acaso bom, gentilmente proporcionado pela madrugada da 'tv2-guaíba'. dessa vez, 'the good, the bad and the ugly', na tradução 'três homens em conflito', premeditado em conjunto com meu cavaleiro hardcore - pero fidalgo.

da primeira vez, escrevi timidamente. mas vejo q não estava tão longe do pé assim...

planos abertos, típico de faroeste. panorâmicas contra-pontuadas com super closep-ups, os olhos de henri fonda e charles bronson. dessa vez são os olhos de clint eastwood. lindíssimo.



uma música tão tristemente tragicamente dramaticamente assim pungente, q morte não é coisa corriqueira. mesmo em um faroeste, e mais ainda, tendo charles bronson atrás do gatilho. nada disso. a música de 'três homens' é exata. e a edição é sutil. perfeita. se, se morre no mundo de marlboro de sergio leone, morte é grave. guerra, abominada.

carga dramática operística pontuada com muita, mas muita classe, pelo olhar glacial de bronson. de arrepiar. o motivo se nos apresenta ao final.
meu cavaleiro leu pra mim:
os 'três homens' é de 1966, dois anos antes de 'era uma vez...'. a comparação com ópera... confere [!].

como eu havia dito. enfim...
trágico é
'the good, the bad and the ugly'. clint eastwood, eli wallach e lee van cleef. em circunstância.
R E C O M E N D O. agora em caixa alta. como deve ser.

Tuesday, September 12, 2006

atílio bergamini

me interrompo de afazeres porque acabo de ler algo que me interessou. muito. uma delicadeza. de um colega ‘oficineiro’. não q ler coisas q me interessem seja raro. pelo contrário, leio até bula de remédio. lista telefônica, acho chato. interações medicamentosas e farmacodinâmicas são divertidas.

percebo q a ressonância do texto me agrada mais agora, q sempre. teve tempo em q eu adorava os românticos malditos. eu sangrava também. queria escarlate. literariamente falando, sem nenhuma chancela, a não ser a de leitora, já me toca menos. sim, detesto parnasianismos sem intencionalidade. eu não acredito, simplesmente. literatura é provocação.

serve bem pingar tudo de sangue pra nos expiar a quem sofre. igual chorar. mas já acho o resultado, do texto, não do pranto, sofrível, evidente demais. coisa pra leitor preguiçoso. um leitor atento percebe cada palavra. e confere ao silêncio o mundo inteiro. o q não está dito ressoa na concisão.

enquanto eu... escuto dylan, q sangra fininho... trilha musical da minha última mudança. larguei o tarô, tirei ‘o louco’ outra vez. está, assim, bem arrematado. ‘o cavaleiro’ e ‘o louco’.
pela manhã, saio escorrendo herberto helder. tenho um pouco de medo. e quero tudo.

Tuesday, September 05, 2006

das estrelas, monitoramos vermes

notícia abominável no obs. não é novinha em folha, a notícia. é nova aquisição da rbs. nova de uma semana, a notícia. a aquisição vem acompanhada de editorias mais enxutas, estilo agressivo e tal. mais gente desempregada. a notícia vem acompanhada de 'comentários' e 'pontos de vista', de praxe, sobre os riscos do monopólio. da imprensa, temeridade.

me abstenho. com ênclise mesmo, ânsia, quase fúria e desânimo.