Saturday, December 15, 2007

crémaillère *

o condomínio é dos mais bem frequentados, o que deixa, essa que vos fala, pra lá honrada e toda prosa !

estamos recebendo visitas na NOVA CASA, embora o bazar ainda esteja meio bazar. os gatos ainda nem encontraram seus cantos, e rebatizamos o empreendimento; projeto e execução do síndico: tiagón, pra quem, agora, eu preciso enviar uma réplica do zeppelin em tamanho natural à título de agradecimento...!

façam como chez vous !
ah, os vizinhos são amistosos e recebem muitímo bem.

* algo como : ‘festejar a nova casa’

Thursday, December 13, 2007

pormenores

me assalta uma necessidade de falar de calcinhas.
o primeiro e mais abundante tipo, aqui na frança, é a calcinha-latifúndio.
latifúndio é calcinha de vó. e, a julgar pela oferta no comércio, o uso não se restringe às senhôuras em idade mais avançada que já superaram as fraquezas da carne. francamente, não dá...

depois, tem aquilo que, segundo meu marido, não se chama de calcinha, de jeito nehum, é sem-vergonhice. essas costumam ser bem bonitas, mas o tamanho me intriga. em geral, são pequeníssimas derrière, mas muito bem comportadas na chegada. ou seja, o modelo, a cor, o tecido são pra sedução, é, invariavelmente, um fio-dental, mas, na frente, um negócio gigantesco, horroroso.


essa, da foto, é uma calcinha de alta costura que custa apenasmente 295 euros; certamente não estaria na minha cesta de compras.

é o que se encontra correntemente. claro, é possivel encontrar sem-vergonhices-absolutamente-micrométricas, mais conhecidas como coisas-do-demo. mas, tem que bem procurar. bem recompensado, você será!

o problema é que eu não vejo por aqui nossas clássicas calcinhas-tanguinhas. naquele tamanhinho exato pro consumo interno e mega-versátil. 1.) não faz feio se você “precisar” se despir. 2.) e, ainda, é de um tamanho compatível para o detestável período das regras e seus adereços, mais detestáveis ainda.

ainda... elaboro, mas creio, possível e provavelmente, tenha a ver com hábitos em relação à cabeleira pubiana. a depilação francesa mais ousada se chama maillot brésillien. fui conferir: "mas no que consiste, exatamente? mas peraí, eu venho do brasil!" as francesas só riam... enquanto eu morria de saudade da irene - minha santa depiladora.
no fim, a interpretaçao do "brasileiro" é variada, e o serviço custa la peau des fesses - a pele da bunda.

próxima pauta: os absorventes franceses, que não são os mesmos do tempo em que incomodada ficava a sua vó, apenas porque são descartáveis. inveja do tico.

Tuesday, December 11, 2007

meu breve instante tumeleiro

depois de três anos com aquele template azulão básico do blogger, fiz uma reforma na casa. e foi aquele artesanato bárbaro, porque sei tanto de programação quanto de tricô e crochê.
e ela ficou bem bonitinha.

aí, o tiagón, cabeça pensante nessa rede e tal, que me ensinou a assinar o feed (!), e a cada visita chez lui, me faz pensar que a blogosfera é um cidade aprazível, me convidou pra morar no condomínio verbeat!

e eu fiquei toda contente e toda prosa, que a vizinhança é lôca de boa, e quanta honra e tudo mais.
estarei deixando a casa em breve...!

Monday, December 10, 2007

a rosa

acabei de ler "primeiras estórias", do guimarães rosa.

duas coisas.
a primeira e óbvia: fico imaginando as tentativas de assassinato sofridas pelo estilo sertanejo-húngaro-em-latim-oral-impresso, por parte de seus revisores.
segundamente, não nego que me alivia a corrente desnecessidade de re-inventar a prosa.

e junto uma terceira metida coisa: o artesanato do verbo é latente, a leitura exige. mas, o que faz diferença, é um risco-fadiga-meritório.

Thursday, December 06, 2007

“Officiellement mon cher Pimenta, tu n’as rien vu”, disse-me Agache após ter feito passar ante meus olhos todos os desenhos, projectos, perspectivas e maquettes, de cujo emmaranhado surge, pouco a pouco, a visão maravilhosa do Rio de Janeiro de amanhã.

Indubitavelmente o plano geral de transformação e desenvolvimento de nossa cidade (...) constituirá um forte e nobre élo entre a geração de hoje e as gerações vindouras, encadeando os sentimentos da nacionalidade, desenvolvendo a consciencia social do povo, fortalecendo enfim a alma brasileira.
Indiscutivel, (...) facil e prever o alento novo que aqui receberá a raça e as fortes e elevadas affirmações de valor que aqui ella dará.

A confiança que o povo brasileiro tem no porvir não nasce portanto da fantasia ou do sentimentalismo senão que se alicerça na razão, nos factos, nos ensinamentos da Historia, na analyse do passado.


um único e solitário neurônio dá conta. algo não saiu conforme o planejado. com o rio de janeiro e com o alento novo, alicerçado na razão, no ensinamento dos fatos e da história e na análise do passado.

essa é a edição do dia 10 de novembro de 1928 da revista, que revolucionou o conceito de revista no brasil, capiteaneada pelo enlouquecido, visionário e tirano: assis chateubriand.
fora o português sáurico que já é um achado (porvir, por exemplo, é uma palavra morta, o que é uma pena, porque é muito útil; já emmaranhado com dois 'emes' é uma tranqueira), no mesmo número, a Éra das Forças Hydraulicas é uma crônica de onde estaríamos nos anos 2000. ler 80 anos retrospectivamente não deixa de ser interessante. especulações sobre a matriz energética, e alguns respingos na organização social. desigual ainda, mas a fome teria sido extinta nos anos 2000.

eu tinha certeza de que viveríamos como os jetsons. pille, exatamente na virada. claro, passar roupa seria atirar camisas dentro de uma máquina... mas isso é do tempo que um aparelho de fac-símilie era do tamanho de uma geladeira e a humanidade era otimista.
algo deu errado, não resisto à idéia de que viemos parar dentro dum filme de jacques tati. mon oncle, claro.

Wednesday, December 05, 2007

tortuosos são os caminhos do senhor

suba até a igreja do nosso senhor do bom fim, ou todas as escadarias da sacre coeur pra ver se não. claro que é premeditado. domingo fiz como reza a cartilha, subi até o monte fourvière, pra ver a basílica de notre damme, no alto da cidade de lyon.

subi as escadarias estreitas da velha lyon, o caminho íngreme até os jardins, e a trilha em zigue-zague ascendente rumo ao céu. a princípio, pensei, pagaria os pecados, se os tivesse. no meio do caminho me assaltou a dúvida, se comer a 8 euros, receber 12 da faculdade, e embolsar 4 euros, se constituiria um pecado...

antes de concluir, cheguei no alto. a igreja é uma falsa construção bizantina – essa colei do meu guia, bem impressionante mesmo. mesmo, as igrejas são feitas pra impressionar. mas depois de córdoba e toledo, o parâmetro fica meio ridículo, mesmo. os padres se superaram lá. a primeira, pela violência, uma catedral com colunas árabes, adeus à maior mesquita construída no sul da espanha, uma aberração arquitetônica emblemática. a segunda, pela beleza gótica, assombrada por gárgulas e torres infinitas.

a vantagem da basílica de fourvière: os telhados de lyon a seus pés e a vista da cidade inteira guardada, ao fundo, pelos alpes, requinte de crueldade: nevados.
pior, a vizinhança: dois anfiteatros romanos, um deles o mais antigo contruído na frança, no ano 15.000 a.c.

pelo sim, pelo não, como estava sem mapa, só rezei pra não me perder nos traboulles – passagens secretas que atravessam quarteirões, e saem... só deus sabe onde.

Friday, November 30, 2007

convite: contos de algibeira - lançamento

é o novo lançamento da casa verde, e o terceiro da série lilliput. eu podia começar com o óbvio "quanto menor o frasco"... nos economizo... pois, se são mini-contos, temos mega-escritores. quantia e excelência - eles vão dominar o mundo, não tenho dúvida.
eu desejo sucesso de público, vendas, crítica, resenha em todos os bons jornais (?!?), todos os louros e a glória literária pra vocês - exceto os chás semanais da academia, 107 cadeiras a mais, convenhamos...

os envolvidos:
DESIGN E CAPA: Auracebio Pereira
APRESENTAÇÃO: Ruy Carlos Ostermann
REVISÃO: Luiz Antonio de Assis Brasil, Valesca de Assis (textos portugueses) e Luís Augusto Junges Lopes
ORGANIZAÇÃO: Laís Chaffe

os escritores:
Adrienne Myrtes, Álamo Oliveira, Alexandre Borges, Alexandre Guardiola, Altair Martins, Ana Baggio, Ana Mendes, Ana Ramalhete, Ana Saramago, Andréa Del Fuego, A ngela Schnoor, Aurora Silva, Berenice Sica Lamas, Caco Belmonte, Caio Riter, Carlos Gerbase, Carlos Seabra, Carlos Tomé, Celia Maria Maciel, Celso Gutfreind, Christina Dias, Cíntia Moscovich, Claudia Tajes, Claudio Parreira, Cleci Silveira, Clelia Bortolini, Daniel de Sá, Daniel Rocha, Edson Cruz, Fabrício Carpinejar, Fernando Bonassi, Fernando Gomes, Fernando Neubarth, Fernando Rozano, Filipe Bortolini, Frederico Alberti, Gonçalo M. Tavares, Henrique Manuel Bento Fialho, Hugo Rosa, Índigo, Ivana Arruda Leite, Ivette Brandalise, Jaime Cimenti, Jaime Vaz Brasil, Jane Tutikian, Jeová Santana, João Carlos Silva, João Pedro Mésseder, João Ventura, Joel Neto, José Bandeira, José Eduardo Degrazia, Laís Chaffe, Leonardo Brasiliense, Leozito Coelho, Livia Garcia-Roza, Lourenço Cazarré, Luciana Penna, Luciana Veiga, Luís Dill, Luis Ene, Luiz Antonio de Assis Brasil, Luiz Arraes, Luiz Paulo Faccioli, manuel a. domingos, Marcelino Freire, Marcelo Spalding, Maria Helena Weber, Maria João Lopes Fernandes, Mário Calado Pedro, Mario Pirata, Marô Barbieri, Milena Fischer, Monique Revillion, Nelson de Oliveira, Nilto Maciel, Nuno Camarneiro, Nuno Costa Santos, Paulo Bentancur, Paulo Kellerman, Paulo Rodrigues Ferreira, Pedro Coelho, Pedro Maciel, Pedro Salgueiro, Rafael Mota Miranda, Raquel Grabauska, Ray Silveira, Ricardo Silvestrin, Rinaldo de Fernandes, Rita Cunha Travassos, Rubem Penz, Rui Costa, Rui Manuel Amaral, Rui Zink, Rute Mota, Samir Mesquita, Sara Monteiro, Silvio Fiorani, Sérgio Capparelli, Sergio Napp, Tailor Diniz, Valesca de Assis, Vasco M. Barreto, Walter Galvani, Wilson Bueno, Wilson Gorj, Zezé Pina.

o evento:
QUEM: 107 autores
QUANDO: 1º de dezembro de 2007, sábado, a partir das 18h30min
ONDE: Alameda dos Escritores do Shopping Total (Cristóvão Colombo, 545)
QUANTO: R$ 20,00

Wednesday, November 28, 2007

o tiagón publicou um negócio impressionante ontem.

o mais próximo que cheguei da estética comunista foi berlim oriental. é outra cidade. mas, pensando...
na sofisticação arquitetônica que reina no entorno do portal de bradenburgo, na torta-instituição-de-maçã-alemã que se degusta no suntuoso operncafé, saindo do altes museum - ainda boquiaberto de ter visto nefertiti em 'carne e osso', em caminhar como quem não quer muito e tomar o choque estético na cara em alexanderplatz, render homenagens a marx, se for o caso - e foi!, seguir pela karl marx alle, parar num salão de beleza retrô, que serve bebidas, seguir e ver o que resta do muro, voltar, se engasgar no bundstag - o parlamento alemão, vendo as fotos da história, apreender com naturalidade os homens tomando banho de sol totalmente nus no tiegarten - parque central da cidade, tomar drinkes num squad, e finalmente, ver gente de cabelo verde no metrô! (não tem roleta, nem cobrador, nem fiscal. e todo mundo paga a passagem.)
isso é berlim.
(roteiro pra uma semana, por favor. não se matem.)

Monday, November 26, 2007

satolep vitor sambatown

faz duas semanas que eu estou namorando esse CD - desde que ele chegou pelo correio, enviado dos longes da capital da província boi. pelo meu amor (por isso é amor, etecéteras).

é o último do vitor ramil, em parceria com marcos suzano.
vitor renderia laudas. lembro de preencher as inúteis aulas de "teorias do jornalismo" escrevendo as letras do "tango", com o alexandre schöessler e o gilberto!

no momento, acho suficiente dizer que "satolep sambatown" é música que se escuta pelo mediastino.

Wednesday, November 21, 2007

oui à la liberté de fumer

é a manisfetação de hoje em paris.
que se soma aos grevistas da sncf (trens intermunicipais), ratp (metrô e ônibus de paris), edf (companhia de eletricidade), gdf (companhia de gás), la poste (os correios franceses), escolas, universidades, e, até, do opera.

estima-se que 40% do funcionalismo público francês estava em greve ontem.

some-se a esse povo todo nas ruas: os usuários de todos os serviços supracitados, contra e a favor da greve.

© MartiBureau / AFP

paris é um caos engarrafada, com estações de metrô abarrotadas (não, isso que se vê na foto não é normal, mesmo nos piores horários) e cercada de manifestações por todos os lados. e, para cada lado, não são dezenas, nem centenas, mas plusieurs milliers de manifestantes nas ruas. ontem: mais de um milhão, segundo le monde.

em janeiro, entra em vigor lei que proíbe o fumo em QUALQUER estabelecimento público. inclui, bar, restaurante, boate, café, brasserie...
compreendo, etc. mas a neurose atinge um limite cacete.

quem ou o quê é capaz de substituir o prazer de minhas preguiçosas e solitárias manhãs de sábado no bar do meu quartier, acompanhada por um café au lait, croissant, le monde e cigarrinhos em sucessão e silêncio???
francamente.

me ocorre que em porto alegre começava a vigorar. ainda vale?

p.s. sarkô não negocia nada. a queda de braço está no seu oitavo dia consecutivo.

Monday, November 19, 2007

english tea

mas aí, resolvi virar borboleta. economizava o dentista e as brocas. deixei de acompanhar o noticiário, francamente, um programa surreal. minhas asas, escolhi um modelo meio miró, que eram pra voar, afinal.

a vida era vasta. e um dia, conheci o astronauta.
tentei falar-lhe, mas ele não escutava, devido ao seu traje intergaláctico. parei de tentar quando percebi que ele achava que estava percebendo o que estava realmente acontecendo, e não era nada disso: uma borboleta com cólica.

então, escrevi um scrap em cada um de seus 168 perfis no orkut e preparei meu cogumelo para a visita. comprei pela internet, um sistema de despressurização doméstico pra ele se sentir mais à vontade, e máscaras de oxigênio para lepidopteras tabagistas e humanóides gentlemans.

diziam que ele tinha joelhos magníficos. falei sobre as flores de utrecht, minhas preferidas. ele lembrou-se Henrik Gottard Cagney, o girassol inglês. nos consternamos com esses pormaiores amorosos.

quando ele foi embora, procurei, na seção "tools auto & industrial" da amazon.com, roupa de astronauta para borboletas. e encomendei uma nave espacial pra mim.

para o amigo Roger Jones

Friday, November 16, 2007

convite: alguém morre no final - lançamento


APRESENTAÇÃO de Luiz Antonio de Assis Brasil:
A literatura possui pelos menos três funções, e não serei eu a dizê-las por primeiro: a função de provocar o prazer da leitura, a de dar-nos conhecimento do mundo e a de gerar a transformação de quem lê. Os novos escritores sabem bem disso. No ambiente a Oficina Literária da PUCRS eles aprenderam a ver seus textos discutidos, analisados, avaliados em todos os seus aspectos, e não falo nos aspectos estritamente técnicos. Muito houve de emoção genuína, muito houve de descobertas, de transformações.
O grupo que ora apresenta suas produções é composto por autores das mais variadas opções profissionais e existenciais, bem como pertencem a diversas faixas de idade. O resultado se constata nos textos: há narrativas de ação, de aprofundamento psicológico, de preocupações sociais, de franco humor; enfim, tudo o que diz respeito à realidade humana. O leitor não se deixe seduzir pela idéia de que é reunido aqui apenas o resultado dos trabalhos realizados em sala de aula; muito ao contrário: na maioria são contos realizados durante a oficina, mas não diretamente para a oficina.
Não encerro com o clássico pedido de compreensão e clemência com os estreantes: já são maduros demais para isso. Apenas leia e deixe-se envolver. A literatura o exige, e pede a sua sensibilidade de leitor.

Wednesday, November 14, 2007

(ex)patriada

pode ser q eu tropece na língua. ou em várias outras coisas.
mas tenho projeto e vontade de viver algum tempo na holanda, num futuro não muito longínquo.

acabo de enviar um post do idelber (um, não. dois. um blog q recomendo vivamente) pro meu companheiro. ele me disse, amsterdam "é a NOSSA cidade, né?" eu disse, “NOSSA cidade, no NOSSO (segundo) país”. mas desconfio q, pra ele, o posto é da frança.

estou na frança há 7 meses. aprendi a apreciar o modus operandi. mas, algumas coisas me espantam: o fato de tua vida ser mais simples e mais barata (burocracias e impostos) quando teu estado civil é “casado”, por exemplo. é ridículo. até se tu quiser viver em concubinato, tu assina um papel na prefeitura.

eu estou envolvida com pesquisa em desenvolvimento rural. eles são orgulhosos dos seus “camponeses”, mas inventaram os monstruosos hypermercados e seus sistemas super verticais. a produção artesanal é linda, mas empilham-se infinitas regras. metodologica e teoricamente, percebo q eles se enredam.

a frança me dá a impressão de um país cansado, talvez. q anseia mudanças, mas, ao mesmo tempo, não consegue se desfazer de padrões. sim, um pouquinho neurótico, aussi.
mas exemplar no senso republicano. isso é invejável aqui. o respeito e o peso q o termo “cidadão” tem nesse país. q, fora isso, é lindo. e sempre terá paris.

voltando à vaca fria, digo, holandesa.
cito o idelber (2007!) “Numa sociedade que realmente não discrimina o homoerotismo, vê-se, cristalina, como é a pura paranóia tensa e ansiosa da homofobia que cria esse medo maluco de que permitir a exibição do amor homossexual vai “degenerar” alguma criança, influir na escolha sexual de alguém, “disseminar” uma coisa que supostamente deve ser contida. (...) Sempre adorei o fundamento que organiza a sociedade holandesa, e especialmente este milhão e meio abençoado que vive aqui na Grande Amsterdã: quer se prostituir ou contratar prostituta/o? É legal, tem bairro para isso. Quer fumar sua erva? Vá aos cafés, onde é legal. Quer se submeter a elaborados rituais sado-masô? Há mil e uma opções. Escandaliza-me que nossos liberais e conservadores não defendam uma sociedade com base a estas regras, que me parecem tão óbvias. O apoio maciço a elas continua intacto entre os holandeses.”

ele lembra, ainda, fuma-se em todos os bares de ams. “Tudo muito civilizado.”

o mais incrível dos holandeses é q eles SÃO assim.
passamos (meu companheiro trabalhando na universidade; eu, floreando) quase um mês, nesse verão, numa micro-cidade chamada wageningen. 30 mil habitantes. a mesma lógica de amsterdam, o mesmo respeito (a todos), a mesma simpatia e cordialidade (menos "sexo-na-vitrine", é verdade, mas 3 opções de cafés pra quem fuma a erva). e ciclovias impecáveis, aliás fazíamos tudo de bicicleta, inclusive visitar as cidades próximas. e pro meu chéri pegar a estrada de bici... é muito seguro, resumindo.

a holanda é mais ou menos o q considero uma sociedade ideal. se isso existe...

Tuesday, November 13, 2007

atualmente

escrevo sem introdução,
perdi o tacanho hábito da conclusão, há tempo.
me perco menos.
não canso de pensar no outono como a estação dessa cidade.
as árvores que avisto de meu balcão desabaram-se.
folhas.
mastigo uns dias cientificamente.

Monday, November 12, 2007

un tout p'tit peu plus de cinéma

vi o último do cronenberg esse fim de semana. 'eastern promises'. quién soy? mas, duas cenas entregam o serviço prematuramente. mesmo assim, bom. clima 'poderoso chefão'. mais cruento, porém. e a cosa nostra é russa.
a foto que eu queria publicar? o kremlin inteiro tatuado nas costas inteiras de viggo mortensen. uma beleza.
locação: londres.
idem para o último woody allen. 'cassandra's dream'. como em 'match point', ele se ocupa de affaires de morte, consciência e arrivismo.

escolhi o NOSSO filme:
'the gateway', sam peckinpah, 1972. com steve mcqueen e ali mac graw.

Monday, November 05, 2007

o códice e o cinzel em estréia

se eu estivesse em porto alegre, iria.
o resultado parcial é uma maravilha, suporte imagem-ritmo-decupagem-som. verei em dvd, acompanhada por meus vulcões de estimação. bom, evito o choque da minha visão na tela. ruim, não poderei dar um abraço 'bem cinchado' no mestre e no douglas.

uma amostra desse encontro do pampa com o sertão:


SINOPSE: O foco narrador deste filme é um olhar estrangeiro sobre o Pampa. O diretor, dessa forma, faz um paralelo com a literatura produzida pelo escritor gaúcho Luiz Antonio de Assis Brasil, a qual desenvolve esse mesmo olhar. Além do universo literário do autor, "O Códice e o Cinzel" apresenta uma reflexão acerca de vários temas que circundam seu universo existencial e estético, como por exemplo, a Oficina de Criação Literária na PUCRS, o Pampa, Porto Alegre, Mozart e sua ascendência açoriana. Gravado no Brasil, Portugal [Lisboa e Ilha de São Miguel, nos Açores] e Espanha [Madrid].



ESTRÉIA: PORTO ALEGRE-RS
filme: LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL - O CÓDICE E O CINZEL
duração: 143min.
ano de produção: 2007

Cine Santander Cultural [parte do evento: FEIRA DO LIVRO DE POA]
data: 9 de novembro de 2007
horário: 19h.
[após exibição, bate-papo com o escritor Luiz Antonio de Assis Brasil e o cineasta Douglas Machado]

Thursday, November 01, 2007

bazar... ou très bien

o velho mundo se apresenta em sépia. tem mais contraste, mas lembra uma luz de abril em porto alegre. que, nesse momento, está bordada em amarelo e roxo. sempre gostei dos jacarandás se derramando pelos caminhos. deixo outubro sem nenhum constragimento.

recebo excelentes notícias... convite para publicar internacionalmente, ao lado da bibliografia!!! artigo científico. ça veut dire que publicaremos (eu e meu companheiro, que acumula também a função de quase colega. quase porque ainda não sou doutora. ainda.) ao lado dos autores que eu utilizo, que me "roubaram" pas mal de momentos, enquanto os lia e os achava muito bem na foto. e, agora, estaremos publicados lado a lado. c'est fou ça!

imediatamente sairei no frio, no feriado dos mortos francês, que é hoje. pra me compor na paisagem outonal desse hemisfério. minhas mitocôndrias trabalham duro para manter os 36 graus corporais. meu cavaleiro me espera exatamente na entrada do inverno. definitivamente, "paris é uma festa".

Wednesday, October 24, 2007

a mongolesa, ou post meteorológico (repetido)*

o inverno chegou bem cedo. não q eu tivesse visto o verão. depois da primavera acachapante. ainda restam rosas obscenamente-desavergonhadamente rubras e muito abertas pelos jardins.

os dias são variações cinzas ton-sur-ton. o céu é baixo. roça a ponta das orelhas.

não, poucos sorrisos. q não me inspiro. evidente, os nórdicos se matam... À C A U S E DU S O L E I L ! ou melhor, por falta dele.
minha amiga mongolesa me sai com essa: “aqui, é a primeira vez q eu vejo negros.”
sorrio: “e o q tu acha?”
“eu gosto!”
agora, posso rir!

* ACESSE... outras sensações térmicas de todos os lugares do mundo. tá, quase todos.

a marselhesa

Aux armes, citoyens !
Formez vos bataillons !
Marchons, marchons !


nada disso, minha vizinha.
85 anos, cabelo escovado, bem maquiada, começa mais-ou-menos-sempre-da-seguinte-forma-gesticulando-muito-e-toda-vez:
“ah, tu mora aqui? (...) eu sou de marselha. meu marido é marselhês! (...) eu morei lá 50 anos. adoro marselha! (...) mérde! - a luz do corredor apaga.
ah, eu também, só usava saia, nessa época. o mistrau* levantava à-to-da-ho-ra, eu xingava: ‘oh, putain-madame-bartin’! (risos) minha sogra não gostava. todo mundo fala assim em marselha! e um dia uma madame perguntou se eu tava falando com ela. (risos) putain de mérde! - a luz apaga de novo.
meu marido era militar, e eu - com cara de malandra - trabalhava fazendo ‘capotes’**!”
(gargalhadas)
e segue...
temos essa conversa toda semana, umas 15 vezes, no mínimo.
com sotaque marselhês, evidentemente.

* nome de um vento noroeste que ‘sopra’ por lá.
** capote = preservativo masculino em ‘linguagem familiar francesa’, camisinha, pra simplificar...

Thursday, October 18, 2007

amor

antes de ontem, durmi com pensamentos ruins.
ontem, meu cavaleiro acordou com pensamentos ruins.
aconteceu na macedônia.
morte é furto infinito.
bouquet de nerfs.
amor são reticências oceânicas.
joana francesa.

"(...) Tu faz muita diferença em minha vida.
Gostaria de dizer isso direto em teu ouvido.
Sussurrando...
(...)
Toujours dans mes bras...
(...)
Edu, cavaleiro-ouvindo-B.-Harper-e-pensando-em-ti."